Terça-feira, 13 de Maio de 2008
Um pouco de Millôr
Sábado, 10 de Maio de 2008
Mais uma "livre" manifestação da nobre imprensa brasileira...
Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
Continuando o caminho dos pecados
"Se Jesus houvesse acabado sua carreira na cruz e não tivesse se comprometido a ressuscitar, que belo herói de tragédia teria sido! Seu lado divino fez com que a literatura perdesse um tema admirável. Partilha assim a sorte, esteticamente medíocre, de todos os justos. Como tudo o que se perpetua no coração dos homens, como tudo o que se expõe ao culto e não morre irremediavelmente, não se presta nada a essa visão de um fim total que marca um destino trágico. Para isso teria sido necessário que ninguém o seguisse e que a transfiguração não viesse a elevá-lo a uma ilícita auréola. Nada mais estranho à tragédia do que a idéia de redenção, salvação e imortalidade! O herói sucumbe sob seus próprios atos, sem que lhe seja dado escamotear sua morte por uma graça sobrenatural; não se prolonga - enquanto existência - de nenhum modo, permanece distinto na memória dos homens como um espetáculo de sofrimento; ao não ter discípulos, seu destino infrutífero não fecunda nada, salvo a imaginação dos outros. Macbeth desmorona sem esperança de resgate: não há extrema-unção na tragédia.
O próprio de uma fé, ainda que deva fracassar, é eludir o irreparável. ( O que poderia fazer Shakespeare por um mártir?). O verdadeiro herói combate e morre em nome de seu destino, não em nome de uma crença. Sua existência elimina toda idéia de escapatória; os caminhos que não o levam à morte resultam em becos sem saída; trabalha em sua "biografia"; cultiva seu desenlace e faz todo o possível, instintivamente, para inventar-se acontecimentos funestos. Uma vez que a fatalidade é sua seiva, qualquer escapatória só poderia ser uma infidelidade à sua perdição. Por isso o homem do destino não se converte nunca a nenhuma crença, qualquer que ela seja: não realizaria seu fim. E se estivesse imobilizado sobre a cruz, não seria ele quem levantaria os olhos para o céu: sua própria história é seu único absoluto, como sua vontade de tragédia seu único desejo..." (pp. 91-92).
Não sou santo, muito pelo contrário. Peco e muito. E com muito gosto. Mesmo quando esse gosto é 'angostiado'... A angústia da crítica é meu alimento. E não confunda crítica com bunda. Não é desse gosto que falo. Apesar de ser um dos gostos que ao falo agrada (falo do falo freudiano, claro...)...
Não quero ser herói de ninguém.. quero apenas escrever. E muito. É a forma que tenho de esperar que a podridão da carne me devore. Uma forma que a mim agrada. E que não pode vir sem um pouco de ironia. A-final, não é "ironia" um bom sinônimo pra "vida"?
É isso.. 33 anos.. e vamos continuando.. no caminho do pecado.. O pecado da metáfora e da poética.. ...e alguns outros pecados, é claro.. A-final.. ninguém é filho de Deus mesmo...
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
MALAfaia...
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Lya Luft
Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
O valor de troca
Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Os investidores externos e os que investem contra a educação aqui dentro
Podem as religiões conviver no mesmo espaço público?
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Saramago, Renaut e o "milagre" democrático

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Um pouco de verdade no reino das ilusões...
Sábado, 26 de Abril de 2008
O poente e a forma
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Pessoa e os alheios que somos
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
A alimentação do feriado
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
(Des)informando sobre os informais
Sábado, 19 de Abril de 2008
Analfabetismo Voluntário
Não sou daqueles que defendem o "popular". Cada época traz suas correntes, que o presente vai arrastando até o próximo abismo, quando, então, o tempo tropeça no espaço, mudando a face da coerção.
Por isso, vou seguir, em minhas linhas certas e em meu texto torto, o caminho das máscaras da alfabetização. Quando Althusser propõe a Educação como um Aparelho Ideológico, ele se aproxima de Foucault, com sua Teoria do Discurso: há sempre um texto que nos escreve, mesmo que não consigamos transpor a miopia cotidiana, avistando um pouco mais de horizonte.
A Teoria Crítica, a Poesia, o Surrealismo, Freud, Lacan, Cioran e alguns outros textos marginais nos propõem atenção re(des?)dobrada para com esse tal de "olhar". Poderíamos resumir assim: Quais são as idéias, palavras, conceitos, tramas e traumas que arquitetam suas conclusões? Quem é você, cara-pálida?
Esses textos marginais, as notas de rodapé da história, a crítica que transita pelos becos assoprando o lixo de cada dia e de cada ideologia, são entretanto, os mesmos que sustentam vivo o estertor do pensamento um pouco mais sofisticado.
A linguagem é um símbolo muitas vezes maltratado pelo uso simplório. E isso nos remete ao endereço da questão: o problema maior está aonde, exatamente? No analfabeto completo, que não lê sequer o nome ou naquele que lê o nome, o endereço e o CPF, mas que não consegue transpor sequer o meio-fio da linguagem, por se apegar, empáfico, ao asfalto de sua própria ignorância?
No mundo de hoje, a grande praga é, de fato, o simplório. É o retorno aos umbrais da história, quando os fonemas ainda guerreavam por articulações mais elaboradas. Simplificando cada vez mais, continuamos a retornar ao choro do tempo, sem, contudo, a fome de outrora.
O verdadeiro analfabeto, como bem disse Mario Quintana, não é o que não sabe ler. É o que sabe ler e não lê. Mas o que seria, exatamente, "ler"? Seria apenas relacionar as letras e palavras? Ou há uma guerra mais profunda, para onde se deve apontar nossa atenção?
Não existe paz e não existe liberdade na linguagem. E isso não é apenas poesia. É poesia. Sem o apenas. Justamente por que não se trata de um acordo com o simplório. É preciso que a mente avance para novas ilusões, antes que a luz do esclarecimento termine por hipnotizar completamente nossos olhos, nos impedindo de ver além - e aquém também, porque não?
O analfabetismo do Brasil é quase que uma religião. A burrice e o sorrisinho sonso e tolo estão na moda. E os papas da mediocridade continuam a rezar suas missas para os fiéis da burrice. Sob aplausos de placa, que, entretanto, constróem o mesmo eco.
E aos professores cabe a insólita tarefa de jogar areia no olhar dos alunos, com a intenção de manter ao menos um vestígio de sombra no clarão, que seja capaz de mostrar que a verdade não está lá, nem cá, mas que se encontra sempre nos disfarces da história, sempre irônicos e prontos a nos incitar sorrisos e tropeços, quase sempre ambos ao mesmo tempo.
"O povo não entende!" Mas quem é que "entende", de fato? O problema não está na letra, mas no ritmo. O alfabeto da sombra é mais rápido, e seu deslocamento é sempre sutil. Apender a ler pelas entrelinhas: talvez seja esse o caminho para quem "forma" nesse país. Para que possamos vomitar nossa submissão. Que é ideológica, sim, como não? Está em cada reprodução dos signos anti-sociais do consumismo. Em cada eufemismo que sustente a mediocridade da mídia. E em cada silêncio cínico, que alimente a passividade de nosso pensamento.
Cada um tem a sua (sub)missão. O problema é: Por que bandeira você vai guerrear? Pela paz? Não dá bandeira, cara. Paz é papo de analfabeto midiótico. Mídia. Idiota. Ótico. Míope. A guerra tá aí, pra quem quiser ver (?). Mas tem que sujar um pouco os olhos. Olhar pra ignorância com olhos menos alvejados pelos alvejantes do discurso. Pra conseguir farejar a sujeira que se esconde por baixo dos tapetes e sorrisos.
Livre disso é o analfabeto. E se você chegou até aqui, é por que tá dentro do turbilhão.
Se fica uma mensagem, pode ser essa: por um Brasil menos 'midiótico'.
Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
Qual é o pedaço da tua ilusão?
Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Colonizados
Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
Agatha Christie, os fatos e os detalhes
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Filtro de merda...
Aprendi no ano passado que o papel de jornal é muito melhor que aquela areia que se vende em sacos, no que tange a eliminar o odor da urina dos gatos. Um caderno de classificados bem posicionado deixa a casa livre do cheiro por até três dias, o que é suficiente para minha preguiça para esses afazeres domésticos.
Então, cumprindo esse ritual, estava eu pegando um jornal antigo (de fevereiro, mais precisamente) para trocar os excrementos felinos, quando fui acometido por uma dúvida atroz, advinda de um anúncio classificado que o acaso posicionou frente a meus olhos. Antes de compartilhar minha dúvida cruel com o leitor, vamos às suas causas.
O jornal em questão é um caderno de classificados de carros e motos do JB, datado de um sábado - como já sabe o leitor assíduo, o único dia no qual me aventuro a comprar jornal -, dia 9 de fevereiro deste ano. E o que me provocou a reflexão que inspirou esse texto foi justamente a manchete da primeira página do caderno: "BOM PARA TIRAR ONDA: um passeio pela zona sul confirma: na hora de desfilar, o Peugeot Coupé Cabriolet faz bonito. Além de deixar qualquer um parecendo milionário, o carro é bem resolvido".
O ser humano vige no acometimento de suas máscaras. Não há rosto humano que não se esconda por sob máscaras. E não é de pureza que se quer falar aqui. Mas a coisa anda cada vez pior...
Etapa por etapa, o discurso do mercado se afasta cada vez mais da utilidade efetiva e primária dos objetos de consumo, o que produz uma lógica completamente refratária da identificação social que mantém possível o confronto sadio e civilizado de idéias como bandeira de uma sociedade possível.
O carro em questão, "bem resolvido", custa a bagatela de 146 mil reais e pode atingir, se forem desrespeitadas todas as leis de trânsito, os 200 km/h. Entretanto, o que mais interessa à reportagem, ao que parece, é o fato de que o carro atrai os olhares alheios, "na hora de desfilar". A parte interna da reportagem chega a dizer, de forma explícita, que "o carro ganhou nota 10 para o quesito olho grande [!!!]. A todo momento, o conversível automático motivava inveja [!!!] e admiração". Claro, os marqueteiros e interessados se defenderiam com aqueles eufemismos, do tipo "ah, mas é inveja boa...".. Mas não se pode levá-los em consideração. O fato é que a inveja e o olho grande são estimulados, numa exaltação clara à escrotidão individualista como mania no espaço público.
E não deixem de observar que o mesmo jornal será aquele que continuará incentivando a educação no trânsito, além de pregar, sempre que não houver nenhum álibi melhor, a solidariedade (que é oposta a signos como "inveja" e "olho grande") como solução para os problemas humanos no raiar do século XXI...
Minha dúvida? Era apenas a seguinte: coloco ou não o jornal para a merda do gato? O jornal, para filtrar bem os excrementos, tem que estar limpo... este, já está escorrendo, com tanta bosta numa mesma reportagem...
Terça-feira, 8 de Abril de 2008
Para os viciados, como eu...
Walter Benjamin
Sábado, 5 de Abril de 2008
A liberdade e o dinheiro, o dono dela... (?!)

Pensando em alguns trabalhos para os alunos, revi, ontem, o documentário Ilha das Flores, do Jorge Furtado. Não consigo deixar de me impressionar com as cenas, mesmo revendo pela centésima vez. E o cineasta trata de uma questão importante, que diz respeito ao cerne das relações capitalistas: a tal da "liberdade".
Diz ele que a liberdade alimenta o sonho humano, que ninguém consegue explicá-la, e que todos entendem. E aí? Dá pra ser "livre" sem dinheiro? Mas não seria um condicionante, então??
O porco recebe preferência na cabeça do escroto dono da propriedade filmada, justamente por que tem um dono. Os indigentes comem os restos que os porcos recusaram, porque são "livres". Não possuem um dono, alguém que lhes retribua o lucro gerado.
É a chamada classe média que sustenta essa porcaria, porque a ela se reservam algumas esmolas que mantém vivo aquele sopro de esperança de ser dono um dia. Claro, sabe-se que uma parcela ínfima desse grupo ascende. Mas a excitação da corrida frenética pelo poder comparece, o que garante a sustentação cínica da desigualdade econômica brutal.
Enquanto isso, aqui embaixo, estão construindo um prédio na rua do lado (moro na Tijuca), o qual avisto pela janela. A atração do prédio é ser parecido com o estilo Barra da Tijuca, condomínio fechado, com áreas de lazer que dispensam a rua para os moradores sortudos. Mais um afogamento do espaço público. E o projeto está naquela fase de vendas na planta. O som ligado alto, tocando "ela balança o cu na vara...", com dois rapazes negros vestidos de palhaço, com uma seta na mão, apontando para a entrada do "empreendimento", e rebolando como mulheres.. atrás, o segurança, um cara de 2 metros, de terno, que toma conta para que a coisa ande nos trinques.
E o mendigo continua contando as folhas de seu caderno, sentado na porta de um caixa eletrônico ao lado da obra.. enquanto os carros zero quilômetro continuam entrando pela porta do futuro prédio.. orientados pelo sorriso forçado de nossos palhaços..
É...
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
O sangue e os nossos olhos

Ao saber, pelo blog do Ricardo, o Todo Prosa, sobre o assassinato brutal de uma pequena menina, atirada pela janela de seu apartamento, fiz um comentário pequeno, pois não sabia da notícia, e dei uma olhada nos outros comentários. Todos indignados, claro, com o ocorrido.
Um desses outros era do Pablo Pamplona, que chamava a atenção para uma questão importante, a sede de sangue da mídia, sempre em busca de mais e mais audiência. Realmente há uma grande parcela de sordidez na escolha da abordagem por parte da grande mídia, que faz o possível para colher o máximo de sangue e sexo dos acontecimentos, no afã de seduzir a atenção dos expectadores.
Mas, alto lá! Isso indica uma coisa importante, nas entrelinhas. Se a mídia apela numa de aumentar a audiência, significa que à audiência interessa o que é apelativo. Sangue e sexo traduzem muito do que é o ser humano.
O brilhante escritor e teórico francês George Bataille tem um livro no qual trata dessa questão através de um ensaio. Se chama O Erotismo. A orelha foi escrita por Marcia Sá Cavalcante Schuback, e tem um trecho que é excelente leitura do que é o ensaio. Diz ela: "Para Bataille, o grande sofrimento humano frente à morte não é aquele de perder a "vida", mas o de ser arrancado de sua descontinuidade, isto é, de sua individualidade finita e transitória. O grande sofrimento é deixar de ser sozinho para ser a continuidade da vida, para tornar-se 'uma onda perdida na multiplicidade das ondas do ser'".
O sangue alheio interessa, sempre, porque nos "salva", de certa forma. O indivíduo que em nós parasita agradece, sempre que "não é com a gente". Por isso, Freud propõe a sublimação como civilização possível. Na sublimação, esquece-se um pouco do sangue alheio, do sexo alheio, da morte..
E não há sublimação na guerra pela audiência...
Roudinesco: muito a dizer

Outra do Publish News informa que a psicanalista Elisabeth Roudinesco (na foto, junto com o filósofo Jacques Derrida) será uma das atrações da 6a edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que acontecerá entre os dias 2 e 6 de julho. Ela vem lançar seu livro A parte obscura de nós mesmos: uma história dos perversos, editado no Brasil pela Jorge Zahar.
A informação é repassada de uma notícia do jornal O Estado de São Paulo, publicada ontem.
Vale a pena conferir o que Roudinesco tem a dizer. Já publiquei, aqui, um texto sobre ela, que suscitou alguns comentários interessados. É uma autora muito inteligente, com grande contribuição para a discussão sobre as implicações dos 'discursos de ego' no mundo contemporâneo. Uma das mulheres mais brilhantes do debate intelectual de nosso tempo.




















