
Fui cortar o cabelo e dei uma passada no shopping Tijuca, na livraria. Isso tem uma hora mais ou menos. E qual não foi minha surpresa ao ver, no hall de entrada do shopping, já na parte de dentro, uma ferrari parada, com uma fila de gente em volta. Mesmo sem parar - afinal, não suporto muvuca, e quem me conhece sabe disso -, deu pra perceber nitidamente que as pessoas faziam fila pra tirar fotos dentro do veículo.
Uma boa análise sobre esse lance das marcas se transformarem em ícones e imagens deificadas, na lógica do consumo - o que as faz valer mais do que o ideário escroto que representam -, está justamente no trabalho do Guy Debord, que cito alguns textos abaixo, chamado Sociedade do Espetáculo.
"A alienação do espectador em favor do objeto contemplado (o que resulta de sua própria atividade inconsciente) se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. Em relação ao homem que age, a exterioridade do espetáculo aparece no fato de seus próprios gestos já não serem seus, mas de um outro que os representa por ele. É por isso que o espectador não se sente em casa em lugar nenhum, pois o espetáculo está em toda parte".
(p. 24)
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2 comentários:
Oláá! mas nós somos acostumados a acreditar que produtos de marca tem mais qualidade e muitas vezes isto é verdade.A questão é que tambem somos acosrumados a acreditar que precisamos do que de fato não precisamos, como por exemplo, comer animais, certo?
Olá, Ubbalda.
Do ponto de vista da 'necessidade', o que existe mesmo, na minha leitura, é o comer, o respirar e o excretar. Mesmo aí, o que se come, o tipo de ar que se respira e o que se faz com o que se excreta (fato é que não há nem um neném sequer que não tenha uma relação curiosa com as fezes e a urina) já são problemas de ordem cultural, discursiva.
Ter "mais ou menos qualidade" depende sempre do referente que você aponta para o objeto, na hora de avaliá-lo. É uma questão ligada aos ditames de suas faculdades do juízo. Por exemplo: a ferrari, no que tange ao referente "velocidade" é muito boa. Mas esse mesmo referente, "velocidade", se avaliado sob a perspectiva do risco de acidentes que provoca, passa a ser perigoso, mesmo ruim. E mesmo isso é relativo: talvez o pessoal das funerárias, hoje capitalizadas ao ponto de produzirem propaganda, se sinta sempre satisfeito com o aumento dos acidentes de trânsito...
Quanto aos bichos, de fato, não há necessidade de o ser humano comer animais para sobreviver. Mas isso se aplica a todos os outros alimentos, por exclusão. Assim como: se você se alimenta só de carne, não precisa dos vegetais; se só se alimenta de vegetais, não precisa de carne; e assim vai..
Beijão pra você
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