Sábado, 12 de Julho de 2008

José Castello


Estou já há algum tempo pra colocar minhas impressões sobre esse cara, aqui. O crítico literário José Castello tem me dado várias reflexões interessantes com seus textos muito inteligentes. Meio crônica, meio ensaio, seu texto faz o que o Barthes coloca como um "rivalizar da escritura com a análise". Algumas muito boas dele:

"Quando se trata da verdade, que é fluida e inconstante, melhor não se fiar em diários e biografias, melhor preferir as ficções".

"A memória é uma armadilha. As lembranças carregam as garras da confusão e da deformação. Traduzidas em palavras, em vez de ganhar nitidez, elas a perdem. Perdem, mas ganham: é quando as expressamos em palavras, ou - dizendo mais honestamente - quando as deformamos em palavras, que as coisas, enfim, passam a existir".

"A sinceridade e a honestidade intelectual não asseguram a verdade".

A verdade não cabe em cápsulas. se forçarmos, ela se estilhaça".

"Para que serve a literatura? Para que cavemos, em nosso próprio rosto, o que somos".

"Um nome não contém uma pessoa".

"A idéia é um biombo atrás do qual ocorrem as coisas mais importantes" (citando Witold Gombrowicz, escritor polonês).


Tudo isso tirei apenas de um de seus ensaios, que sempre abrilhantam as páginas do caderno "Prosa e Verso", do jornal O Globo, aos sábados.

E como um nome não contém uma pessoa, não se contentem com o nome. Leiam o cara. Para além de seu nome. Vale recomendar.

4 comentários:

Dona Sra. Urtigão disse...

Que bom ver coisas boas . As denúncias do que não presta são necessárias, mas ver que algo presta...Por isso estou ficando dependente de tua pagina.

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Obrigado, dona Urtigão. É aquela coisa: a gente tem que sair com a peneira ligada, pra ver se alguma coisa fica grudada. Mas sempre tem algo que escapa da canalhice ou da burrice. E estarei sempre atento, para trocar com os amigos.
Abração

Sir Fart disse...

Opa, hoje escrevi algo sobre o filme "A Lenda de Beowulf", e lá citei obra (a meu ver magistral) de Jung, "Mysterium Coniunctionis". Muito do que vejo aqui, na pena de Castello, está justamente neste livro de Jung.
Abraços!

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

E aí, mr Fart.. Desculpe a demora em responder, meu nobre, mas estou naquela reta de chegada, última semana de provas, várias correções pra fazer e ainda o curso de férias pra terminar. Mas tudo pára na quinta. Merecidas férias.. e aí, coloco em dia os textos dos amigos e amigas.. Com certeza.
Abração