quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

enx e(r)go metria do avesso

"As Faces da Guerra"
(Salvador Dali, 1940)


Os olhos regem
as maiores ilusões,
mas também
as maiores conquistas

Não falo, óbvio,
do que se pode pegar-ver

Falo do poeta que,
descrente do olho,
põe-se a nadar
no delírio

O mundo é muito
a vida é tanta
e nada resume
o infinito que apita,
trem de vertigens
que assalta a alma

Pobre daquele
que entende um poema:

perdeu a luta
para os olhos,
mesmo que temp
orária
mente.

O olho,
para quem r
e[x]iste,
não passa
de um flerte que
engana
esgana
exgana
ex
gana

Não há ambição
para o poeta.
Há de
lírio

o que de
lírico possa
ha
ver

2 comentários:

Thiago Quintella de Mattos disse...

Essas suas jogadas linguísticas lacanianas enriquecem muito o poema! Demais Marcelo!

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Valeu, Thiago. O Lacan é realmente uma das minhas fontes de ins-piração. Acertou na mosca.

Abração!